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É um facto que ao longo da vida, vamos perdendo pessoas. Umas pouco importantes, às quais dedicamos dois segundos da nossa atenção; outras de tal modo importantes que não só lhes dedicamos dois segundos como o resto das nossas vidas.
O engraçado é que nos falam em preparação. Preparação psicológica. Sabemos que a pessoa X sofre de determinada patologia, que a morte se aproxima a correr e então temos de nos preparar para tal, para essa perda. Tenho a dizer-vos que é impossível. Completamente irracional. É impossível preparar-nos para uma perda, para o buraco que a pessoa vai deixar, para a falta do contacto físico. A ideia da morte, do desaparecimento não nos é inerente. Nós não sabemos lidar com ela. Nós temos medo dela e sempre que ela se nos chega, ficamos aterrorizados, percebemos o quão insignificantes somos e deixamos que ela, a rir-se, nos leve quem mais amamos. E não há nada que possamos fazer, nós, os homens! Cheios de capacidades, autênticos deuses na Terra! É irónico não é? 

Hoje recebi a notícia de que alguém muito querido me está prestes a abandonar. E sabem para onde foi toda a "preparação psicológica"? Não foi. Simplesmente porque não existe. E agora penso e repenso na efemeridade da vida, da curta duração disto tudo. Até que ponto tudo isto vale a pena?  

publicado às 15:26


12 comentários

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Fátima Soares 22.10.2013

Partilho exactamente de cada palavra que diz. É uma forma de nos enganarmos falar da morte abertamente e até brincar sobre, mas o certo é que nos apavora e NUNCA se está preparado NUNCA mesmo. Não há preparação possível por mais compêndios que inventem, teorias que se professe. Não sei que dizer, sinto-me tão incapaz sequer de lhe dizer FORÇA, porque não adianta nada! É uma porcaria viver para se ir perdendo tudo o que gostamos e quem nos faz uma tremenda falta em todos os sentidos. Perdoe comentar.
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Carla 26.10.2013

Obrigada pelas suas palavras que para além de verdadeiras, acabam por me confortar.
A vida é, de facto um ciclo, mas cada etapa desse círculo é difícil de ultrapassar.
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m-M 22.10.2013

Como te compreendo... :/
Somos humanos, sentimos e partilhamos... nada nos consegue "formatar"/ preparar para momentos e situações destas.
Um beijinho de força,
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Carla 26.10.2013

Agradeço a força que me transmitiu com estas palavras.
Há que acreditar que o tempo cura tudo :)
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m-M 28.10.2013

Transmiti o que vivo... por isso acredito ser possível.
Beijinho,
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Fátima Bento 22.10.2013

Passei por isso em Setembro deste ano.
Pelo momento em si.
Em Março o pai estava cheínho de vida, em Abril cheio de dificuldade em andar,dores, em Maio foi internado para um bypass vascular, fez mais duas cirurgias (para corrigir asneiras) apanhou a bactéria-que-pratica-e-oficialmente-não-existe-cá, e que uma mão cheia de pessoal apanhou na enfermaria onde ele estava - a temida MRSA - em Julho veio para a minha casa, sem massa muscular, e, pronto, alegadamente para fazer fisioterapia mal ficasse melhor. Em Agosto foi internado de urgência para uma amputação, e em Setembro, 3 dias antes de morrer equacionou-se uma segunda amputação.
Onze meses antes, o meu sogro morreu de cancro, tivemos três meses para viver os últimos-sabendo-que-eram-os-últimos tempos dele e com ele.
Não é possível preparar-mo-nos para nada, nunca.
Se foi mais fácil saber ou ir adivinhando?
O tanas. A morte é aquela coisa que não tem mesmo volta. Às vezes à noite acordo e fico a espera de o ouvir chamar por mim do quarto ao lado, mesmo sabendo que não vai acontecer. E espero até voltar a adormecer.
Eles ficam sempre connosco, isto não é uma frase feita, eles ficam mesmo sempre connosco.
Mas dói que se farta...
(o meu adeus, aqui http://donadecasa.blogs.sapo.pt/504481.html )
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Carla 26.10.2013

Li o seu texto e chorei. Chorei porque estou, neste momento, a passar pelo mesmo e parece que tudo aquilo que nos é dito, não permanece em nós. Fica-se de tal modo apático que nada tem sentido, tudo parece uma roda viva e nós ali, no meio, a asfixiarmos com emoções que queremos compreender, reprimir, mostrar. É difícil.
Obrigada pelas suas palavras, pela sua compreensão.
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Sunshine 22.10.2013

Nunca se está preparado para a perda de uma pessoa significativa, porque se perde também um bocadinho de nós, "da vida que nós lá pusemos" como diz Virgílio Ferreira.

A morte é um tabu difícil de realizar, e qual preparação, simplesmente não existe, atinge-nos em cheio da mesma forma, antecipada ou não.

É doloroso, mas gosto de pensar nas coisas muito boas que me deixou, em forma de tributo.
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Carla 26.10.2013

Concordo consigo e neste momento, em que a pessoa em questão já partiu, eu tento lembrar-me de todo o bem que ela me fez, de todas as gargalhadas que, em conjunto demos. Enfim, eu tento sorrir um pouco em memória da pessoa divertida e fantástica que ela era.
Obrigada pelas palavras.
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Por vezes quando oiço alguém dizer "eu não tenho medo da morte" penso como isso é possível?
Como não ter medo de algo desconhecido, de algo que não sabemos se será melhor?
Quanto à morte de quem nos é querido...por mais que digam que é a coisa mais normal do mundo deve ser a coisa mais difícil com que nos deparamos.
Trabalho com idosos e claro que a morte está mais presente e não é por isso que não custa. Embora que haja alturas em que a pessoa sofre tanto que quando parte até parece que alivia a sua partida. É confuso...por um lado o medo de partir, por outro o medo do sofrimento, por outro a angustia de não voltara ver aquela pessoa..
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Carla 26.10.2013

Acredito que as pessoas têm medo da morte, mas preferem acreditar que não, berrar a sete-mares que não só para se tentarem convencer a elas próprias. Infelizmente, quando falamos da morte, não falamos de um sono reparador, falamos da perda, do desaparecimento físico de alguém e quando a pessoa em questão é chegada a nós, a dor é terrível.
De facto, toda esta situação é um dilema. No meu caso em particular, a pessoa a quem me refiro neste post estava a sofrer imenso e claro que todos nós queríamos que ela parasse de sofrer, mas a morte... a morte é sempre a última opção, não é verdade?
É triste. É a vida. Injusta.

Obrigada pelas suas palavras.
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m. 26.10.2013

Perder alguém é tão contraditório. Simplesmente porque nunca a perdemos, por mais que tentamos ultrapassar a dor da sua ausência vai lá ficar sempre, um vazio que nos preenche a cabeça e o coração. Não se ultrapassa, apenas temos de aprender a lidar com isso sendo a nossa realidade. Não adianta tentarmos arranjar soluções para nos esquecer-mos disso por momentos, não adianta evitar lugares onde conviviam, não adianta evitar ver fotografias e reavivar memórias, porque na verdade, essa pessoa até pode não poder estar mais presente fisicamente connosco, mas se não pensarmos nela, no bom que passamos com ela, no bem que ela nos fez e trouxe, quem vai pensar? Quem?
- Adorei o texto, força porque é preciso foco, força e fé para manter-mos a Vida com vida.

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